TOPOLINO


Vi Leardi contou este

Conte o seu

Era o verão de 1957...Eu era novo, novo em, fôlha...Azul claro de uma tinta brilhante que me enchia de orgulho....era uma novidade, a minha capota, era de lona listrada, como um guarda sol em forma de toldo com sinhaninhas brancas,que me faziam a estrela da minha casa; meus bancos de palha... portas?... não tinha, apenas cintos de segurança.
Minha casa era a vitrine da melhor loja da Fiat em Genova e eu, o" Topolino da SPIAGGIA ", nasci para a praia...era o sucesso da estação, alí eu brilhava e era cobiçado;
mas ainda não tinha visto o mar...
Um dia, de repente eu estava na garagem de uma casa de veraneio em Sta Marguerita Ligure, devo ter sido levado a noite, pois quando acordei já estava lá...Difícil descrever a alegria da mãe e das crianças que me ganharam de presente...Minha tarefa, seria levá-los todos os dias pelas estradas ensolaradas da costa, desta minha linda Itália, até a praia de Paraggi ao lado de Portofino...Não podia estar mais feliz...as crianças, um menino, de oito anos e uma menina de dez, me adoravam...a mãe,linda e jovem fazia com que eu me sentisse o Rei da estrada...com o rádio ligado muitas vezes íamos cantando, ao som de Gino Paoli ou Peppino Di Capri, chamando atenção de quem por nós passava...eu era um dos poucos nas redondezas, uma... estrela!
Todos os dias pela manhã as crianças me davam banho, tirando toda a maresia e me deixando pronto e perfumado para mais um dia...
Por dois meses por ano esta era a minha rotina, rotina querida e tão esperada nos meses de inverno, quando coberto pela minha capa vermelha, eu sonhava com a volta do verão e da ...minha família.
Para minha alegria porém, eu não ficava totalmente sózinho"...MICCIO", o gatinho querido das crianças que ficava com a Signorina Amalia, governata da nossa casa, tinha se acostumado a dormir em cima da minha capota, confortavelmente aninhado nas dobras da minha capa.
Foram quatro anos...os melhores da minha vida!
Mas parece que nada é para sempre...um dia de repente, inesperadamente Miccio foi levado e a minha família não voltou para as férias de verão...Foram todos de volta de onde vieram... do outro lado do mar...tão longe.
Não pudemos nos despedir...mudei, ganhei casa e pintura nova...mas nunca mais esqueci.
Tenho um consolo...Minha fotografia tirada no dia que cheguei....está até hoje no criado mudo da menina, que hoje crescida realiza, que nunca mais teve um "Topolino"como eu e que a sombra de meu "guarda sol" ao som das canções de então, são como as minhas ...as melhores lembranças da sua vida.
Postado por Vi Leardi

10 comentários:

expressodalinha disse...

A personalidade das coisas. Belo conto, num cenário de infância. Vá lá, este acaba bem...

Eduardo P.L. disse...

Vi, reli, em voz alta, para a Paulinha. Adoraram o TOPOLINO.

Bjs

Maria Augusta disse...

Muito lindo e acaba bem, pois ele continua existindo como uma bela lembrança da menina que cresceu...
Abraços.

disse...

Eduardo...um honra estar aqui, com este singelo relato das minhas tão queridas lembranças de meus anos além mar...Jorge Pinheiro e seu talento são uma inspiraçaõ e uma aula...Fico muito contente de vcs terem gostado a ponto de colocá-lo aqui em tão ilustre companhia....
Obrigada ...foi um prazer!!
beijos Vi

expressodalinha disse...

Obrigado Vi. A honra é minha e a ideia do Eduardo é fantástica. Muita gente tem contos na gaveta que "não cabem" nos blogues normais. Este é um blogue de "digestão" mais lenta.

Silvares disse...

Confesso que, para poder "ver" o Topolino, tive de procurar imagens no Google (onde mais?). Agora compreendo melhor o amor do carro e pelo carro. Ele é amoroso, de facto. :-)

Uma sugestão aos administradores do Blogue: não poderia haver ilustrações para os contos? Fica a sugestão.

Eduardo P.L. disse...

Silvares,

como dei as explicações no seu blog, e você concordou com elas, agradeço a sugestão. Obrigado pela visita e comentário.

Forte abraço

peri s.c. disse...

Belo conto, Vi.
Todos nós tivemos nossos " Topolinos". O meu, não tão charmoso e bem maior, foi um Ford 37.

sonia a.m. disse...

Que lindo conto, Ví!
Me desculpe... estou bem atrasada para fazer o meu comentário... Gostei muito dessas suas doces lembranças.
Beijos.

Mimi disse...

What a wonderful memory of your chidhood. I really enjoyed reading your story!

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conte o seu : qcucaup@gmail.com