Um dia atribulado na vida de Simão Talhinhas...II parte


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= UM DIA ATRIBULADO NA VIDA DE SIMÃO TALHINHAS = DE COMO NA HORA CERTA SIMÃO TALHINHAS TERIA UMA ARMA DEMOLIDORA CONTRA AS MEGERAS - O SALAFRÁRIO DO SARGEDAS ANDAVA A PREPARAR TRAMÓIA - O TIO PULQUÉRIO TAMBÉM TINHA COELHINHAS E ERA O SÓSIA PERFEITO DO HUGH HEFNER - O TIO ANIBÁL EM RECOLHIMENTO VOLUNTÁRIO NA TORRE DOS QUATROS VENTOS ETRETINHA-SE A VER OS EMOLUMENTOS CARNAIS DE GUAPAS ESPANHOLAS-
CAPÍTULO - II

É a altura de explicar aos queridos leitores as origens do apelido Talhinhas, que o nosso herói ostenta com propriedades de" petit non". Comia esta família com devotado esmero melancias até a sucosidade o permitir. Cortavam-nas tão fininhas e com tal requinte que todos começaram a chama-las talhinhas, daí vai um passo a um apodo nominal e uma perpetuação geracional que estava viva. Posto isto (como se lembram): encontramos Simão esforçado de docilidades possíveis para amansar as megeras, as tais tias que eram umas criaturas secas e empedernias como dois choupos a décadas de cocó de cegonhas, sem nunca terem conhecido as delicias do ponto " G", tinham os úteros mal humorados e tormentosos dando-lhe para embirrarem com tudo o que fosse um liberalismo mais consentido e, dessa tradição doentia e inquisitorial ressaltavam-lhes em agitação useira o breviário que ostentavam num sentido exorcista ao que estivesse no seu "Index", refundindo tudo numas beiçadas sussurradas e ininteligíveis e tão assanhadas de zelo e parecenças Dominicanas que por certo nem os mediadores celestes compreenderiam tal exaltação. Estas duas criaturas legitimas candidatas a "Harpias" ou "Medusas", mal falavam a Simão, desde o dia em que este lhes tinha dito que o nosso Salvador tinha tido um caso com Maria Madalena. Furibundas ao ouvir tal, esconjuraram-no de breviário aberto espargindo-o com gotículas de água da terra dos pastorinhos, dizendo : " vais arder no Inferno, e tens muita sorte de hoje não haver ministros do divino como Torquemada ou o Malagrida, pois ias a esturricar em São Domingos!..." Simão ansiava por ar novo , pois todo aquele casario era algo lúgreme e Simão que, na simulação da visita, tinha vindo sobretudo para verificar se o salafrário do Sargedas, o procurador das usurárias lá estava, queria sair quanto antes. Não sem ter o pressentimento de que este já tinha passado a perna a grossa maquia das tias, delapidando a massa em riscos bolsistas, "ofshores" e à recente bomba da falência de Bancos Lusos. A seu tempo Simão despoletaria a sua mais terrível arma, ameaçando as tias de contar ao cura e na paróquia das desvergonhas de quem se pensava ser um modelo de "beatice" e casta vida. Deu um dia Simão, melhor uma noite, num Agosto em que se desencadeou medonha chuva de estrelas, e em que as mesmas rezavam uma porfiada novena; com uma gaveta entreaberta onde se divisavam dois " Godmiches" de avantajadas proporções, o que queria isto dizer que as sonsinhas cultivavam com toda a propriedade o lema: " vícios privados públicas virtudes". Desceu Simão Talhinhas para o saguão contíguo, onde no outro lado do pátio morava o tio Pulquério. Cruzou-se com o Luizinho Queen, que era filho de uma prima afastada. O Luizinho já tinha ido a dez sessões do recente filme " Milk", sobre o o primeiro politico assumidamente " Gay" eleito nos EUA ; envergava uma t-shirt com as fotos de Milk, Gary Grant e Randolph Scott ( que já o tinham feito ganhar uma pipa de massa), vendia a revista " Advocate" e o seu sonho era ir para São Francisco. Depressa Simão se descartou de Luisinho, e rumou direito a casa do tio Pulquério. Este recebeu-o efusivamente rodopiando e macaqueando o chão com as suas muletas que tiniam como ferros de obstetra, como ave pernalta procurava o poleiro , sentava-se sempre numa cadeira plástica com buraquinhos como os dos confessionários. As muletas ainda gemiam num último estertor quando pela centésima vez repetia o mesmo gesto em todas as visitas. Mostra a Simão uma foto de uma vistosa miúda de tanga, curvada com aquela parte sobressaída que Ingres tão bem retratou, onde afundava uma Lycra que fazia ressaltar aquele monte que mais se gosta de conquistar. O velhote Pulquério olhava Simão Talhinhas com cumplicidade, apontando para o tal sítio. Mostra dois dentes únicos, sentinelas a conter uma salivação abundante que Savarin dizia terem os homens que não escondem crimes maiores. Piscou o olho, baixa-se retira de uma gaveta um monte de revistas meio amarfanhadas, mostra as folhas que já tinha mostrado outras vezes . Hugh Hefner e as suas coelhinhas louras em trajes menores, tudo à molhada numa caminha de rendas. Simão sorria. O velhote continuava: « isto é que é fruta!...- Diz trémulo de lembranças. « É da minha idade este velhote!... Até poderia ser meu irmão gémeo... Mas eu não tenho dinheiro para o Viagra! Tomo piripiri que é o Viagra dos pobres!... E riu-se... Riu-se perdidamente com aqueles dentes simpáticos de parecenças hipopóticas que tornavam a língua quase bífida de adaptações. - Sabes o meu divertimento maior e único é a feira erótica. Lá até me chamam o Hugh Hefner de Chelas. Aquilo é que é ver gajas boas! Que curvas...Que deltas! -Sabes o que é um delta, não sabes? Este ano uma boazona tirou de lá quinze metros de corrente e bandeirinhas do Europeu , eu até queria ajudar e puxar a nossa bandeira, mas um salafrário alto como um escadote antecipou-se ; restou-me o Togo. Irmanando-me nalguma alegria breve com o tio Pulquério, saí para o ar livre. Não ia visitar o tio Anibal que vivia numas águas furtadas em voluntária reclusão. Era aponsentado de escrivão judicial há muitos anos, decisão abreviada por um infausto e tormentoso desgosto de atentado ao zelo guardião de sua jurisdição, para o qual teria contribuido infame contigente de rataria que teria comido os processo na nação à sua guarda. Desde então dedicava-se a desfolhar os antigos jornais alfacinhas, o " Azorrague", " Martelo Político", " Tripa Virada", e o Trombeta Final"; enaltecendo pela lupa a menção aos dislates parlamentares, lendo a necrologia com apreciações de censor divino, repartindo glosas de almanaque e poesias serôdias entre abanares de calva avançada.Em noites claras espiava as ligas e os vistosos espartilhos das vizinhas, quiça em noites de Estio, emolumentos carnais da melhor estirpe. ostentados mormente por um grupo de espanholas que trinavam no Maxime.Fazia-o por um óculo de marear que tinha comprado em bom tempo num antiquário da Rua da Escola Politécnica. Por ele, nas noites em que as janelas estavam encerradas aos seus olhares lidibinosos, partia por apelos astrofísicos para a pesquisa sideral tentando encontrar o décimo planeta do Sistema Solar o 2003UB313, ali bem juntinho ao desclassificado Plutão, só que este planeta ainda não tinha sido descoberto, e com aquele óculo que o máximo que alcançava era a janela das "guapas" vizinhas, se lhe fizeram até uma vez as ampliações jocoso engano, tomando a Cratera de Magalhães, pelo traseiro encarquilhado da Marquita uma antiga " flamenguilha" esquecida dos tablados Sevilhanos e camareira das meninas. Resultando destas gostosas e invulgares vigia algumas dores tormentosas nas espáduas. Mas o que mais compungia o tio era a decisão do Sérginho, o seu filho predilecto, e primo do Simão, que tinha partido para a selva Amazónica em busca de "pitons albinas", para a abertura de uma fábrica de verdadeira " Banha da Cobra", coisa que neste rincão Luso emulava tanto nas vendas com o " Galo de Barcelos". Na casa contígua anémica de cales e vivos de rodapé, meio desentupida de gorgeios de algerozes, ouvia-se um barulho bem perceptível vindo da rua e da casa em frente, uma família de Bósnios repetia sem cessar as músicas de Emir Kusturica, pondo em dia algumas saudades da terra. Quem não estava pelos ajustes era o senhor Gilberto da mercearia, cultor furioso das palavras cruzadas e sonhador de organiza em Portugal o primairo campeonato de " Sudoku". Muito parecido com Choderlos de Laclos, até já tinha prometido a si próprio que no próximo aniversário da batalha de La Lys, se a chinfrineira não parasse, envergaria o seu uniforme de gala e correria esta gente até aos Balcãs.É que tudo isto também perturbava a D. Agripina, sua esposa, uma senhora gorda como as figras de Botero, que trauteava todo o dia a habanera da Ópera Carmen e fumava mais que todas as cigarreiras de Sevilha.

(não perca o próximo episódio)

josé movilha

3 comentários:

Atreyu disse...

Muito bom esse conto...
Fui fuçar no histórico e achei alguns muito bons... rsrsrsrsrs... blog porreta menino

Eduardo P.L disse...

Atreyu,

obrigado pela visita e simpático comentario.

Volte sempre e traga o SEU CONTO!

josé movilha disse...

ATREYU

MEU AMIGO!
Obrigado pela visita e pelo comentário, mais logo outros
contos darão à estampa com outros temas.

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conte o seu : qcucaup@gmail.com